Como usar a motosserra com segurança: EPIs, técnica correta e os erros mais comuns a evitar

Usar motosserra com segurança depende de três coisas: equipamento de proteção adequado, técnica correta de operação e respeito aos limites da máquina. Cerca de 80% dos acidentes têm origem em falha humana, o que significa que a maior parte dos riscos está sob o controle de quem opera. Este guia reúne o que você precisa saber antes de apertar o gatilho pela primeira vez.

A motosserra é uma das ferramentas mais úteis para quem cuida de árvores, corta lenha ou mantém uma propriedade. Também é uma das que exige mais atenção. 

A boa notícia é que a segurança na operação não depende de talento nem de força, e sim de seguir uma sequência de cuidados que qualquer pessoa aprende. Quem domina esses cuidados trabalha tranquilo e faz o equipamento durar mais.

Antes de ligar: a preparação que previne a maioria dos acidentes

A maior parte dos acidentes pode ser evitada antes mesmo de a corrente girar. A preparação leva poucos minutos e começa pela inspeção do equipamento.

Verifique o freio de corrente, que precisa estar funcionando e travando com firmeza. Confira a tensão da corrente, que deve estar justa ao sabre, sem folga aparente nem aperto excessivo. 

Cheque o nível do óleo de corrente, porque a lubrificação correta protege o conjunto de corte durante todo o trabalho. O óleo Rhinomec MS é específico para essa função e reduz o atrito entre a corrente e o sabre.

Depois do equipamento, observe o ambiente. Garanta uma distância mínima de outras pessoas e animais, livre a área de obstáculos que possam atrapalhar o movimento e planeje uma rota de saída caso precise se afastar rápido. Por último, calce todos os equipamentos de proteção antes de qualquer contato com a máquina.

EPIs obrigatórios e o que cada um protege

Equipamento de proteção individual é o que mantém o operador inteiro quando algo foge do controle. Quatro itens formam a base da operação segura.

  1. O capacete com viseira e proteção auditiva resguarda a cabeça contra galhos e estilhaços, protege os olhos durante o corte e preserva a audição do ruído contínuo do motor.
  2. As luvas anticorte protegem as mãos no manuseio e reduzem a vibração transmitida ao operador ao longo do trabalho.
  3. As perneiras e a calça de proteção são feitas com fibras que travam a corrente no contato. Esse item merece atenção especial, porque as pernas concentram a maior parte dos ferimentos em acidentes com motosserra.
  4. As botas de segurança, com bico reforçado, blindam os pés contra a queda de toras e o contato acidental com a corrente.

Como ligar e operar a motosserra corretamente

Com o equipamento inspecionado e a proteção calçada, chega o momento de acionar a máquina. O procedimento muda um pouco entre motosserra e eletrosserra.

  • Na motosserra, a partida fria começa com o freio de corrente acionado, o afogador puxado e a máquina apoiada com firmeza no chão. Trave a base com o pé na alça traseira, segure a alça dianteira com a mão e puxe a corda de partida com movimentos firmes. Assim que o motor der os primeiros sinais, desligue o afogador e dê a partida definitiva. Na partida quente, com o motor já aquecido, o afogador permanece desligado.
  • Na eletrosserra, o processo é mais simples. Confira que a trava de segurança está acionada, conecte o equipamento e libere a trava apenas no momento do corte. A partida é imediata, sem corda nem afogador.

Em qualquer dos dois, a postura de operação é a mesma. Segure o equipamento com as duas mãos sempre, mantenha os pés firmes e afastados na largura dos ombros e nunca opere a corrente acima da altura do ombro, posição em que o controle diminui e o risco aumenta.

O Rebote: o que é, por que acontece e como o freio de corrente age

O rebote, ou kickback, é o movimento mais perigoso de uma motosserra e a causa de boa parte dos acidentes graves. Acontece quando a ponta superior do sabre toca um obstáculo e a reação joga a barra para cima e para trás, na direção do operador, em uma fração de segundo.

O freio de corrente por inércia existe justamente para conter esse movimento. Ele detecta o recuo brusco e trava a corrente em milissegundos, antes que ela alcance o operador. Por isso, esse recurso jamais deve ser desativado.

Algumas técnicas reduzem o risco na origem: evite cortar com a ponta do sabre, que é a região que dispara o rebote. Mantenha a corrente sempre afiada e bem tensionada, porque uma corrente cega exige mais força e aumenta a chance de travamento. 

O sabre deve encostar na madeira com o motor em rotação plena, nunca com a corrente em velocidade baixa.

Motosserra ou eletrosserra em escada: por que esse uso deve ser evitado

Existe uma situação que reúne dois riscos sérios na mesma cena: operar a motosserra em cima de uma escada. 

A instabilidade da escada, que pode ceder ou desequilibrar, soma-se à possibilidade de rebote, que empurra a máquina justamente quando o operador tem menos como se firmar. Essa combinação responde por muitos acidentes graves em poda.

Para poda de galhos altos, a ferramenta correta é o Podador de Altura Tekna. Ele leva a lâmina até o galho com o operador firme no chão, oferecendo alcance estendido sem comprometer a segurança nem o resultado do corte. Galhos altos em árvores ornamentais e frutíferas se resolvem do solo, sem o risco da escada.

A licença obrigatória: registro da motosserra no IBAMA

Antes de usar a motosserra, vale conhecer uma exigência legal que pega muita gente de surpresa. No Brasil, o Código Florestal, em seu artigo 69, torna obrigatório o registro do equipamento no IBAMA para quem compra e para quem vende.

O operador precisa da Licença de Porte e Uso, a LPU, emitida pelo IBAMA a partir do cadastro no Cadastro Técnico Federal. A solicitação é feita pela internet, a licença vale por dois anos e a renovação acontece pelo mesmo sistema, mediante taxa. 

Usar uma motosserra sem o registro configura crime ambiental, com pena prevista de detenção e multa por equipamento. Regularizar é simples e evita transtornos em uma eventual fiscalização.

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Após o uso: os cuidados que prolongam a vida do equipamento

O trabalho termina com a limpeza, remova a serragem acumulada na carcaça e no conjunto de corte, que retém umidade e prejudica o funcionamento ao longo do tempo. Verifique novamente o nível do óleo de corrente Rhinomec MS e complete se necessário.

Para guardar, deixe o equipamento em local seco, protegido da umidade e longe de fontes de calor e combustíveis. Em pausas longas entre temporadas, esvaziar o tanque e secar o carburador evita o ressecamento de juntas e facilita a próxima partida. O guia de manutenção preventiva da motosserra detalha cada um desses cuidados.

Usar motosserra com segurança é uma rotina que se aprende rápido e se repete sempre igual. Quem incorpora esses passos protege a si mesmo, prolonga a vida útil do equipamento e trabalha com a tranquilidade de quem sabe exatamente o que está fazendo.